Existem mãos que sustentam e mãos que abalam. Mãos que limitam e outras que ampliam. Mãos que denunciam e mãos que escondem os denunciados. Mãos que se abrem e outras que se fecham.
Existem as mãos que afagam e as mãos que agridem. Mãos que ferem e outras que cuidam das feridas. Mãos que destroem e mãos que edificam. Mãos que batem e outras que recebem as pancadas dos outros.
Existem mãos que apontam e guiam e mãos que desviam. Mãos que são temidas e outras que são desejadas e queridas. Mãos que dão arrogância e mãos que se escondem ao dar. Mãos puras e outras que carregam censuras.
Existem mãos que escrevem para promover e mãos que escrevem para ferir Mãos que pesam e outras que aliviam Mãos que operam e curam e mãos que "amarguram"
Existem mãos que se apertam por amizade e mãos que se empurram por ódio Mãos furtivas que traficam destruição e outras amigas que desviam da ruína. Mãos finas que provam dor e mãos rudes que espalham amor.
Existem mãos que se levantam pela verdade e outras que encarnam a falsidade Mãos que oram e imploram e mãos que "devoram"
Mãos de Caim que matam Mãos de Jacó que enganam Mãos de Judas que entregam Mas existem também as mãos de Simão, que carregam a cruz E as mãos de Verônica, que enxugam o rosto de Jesus.
Onde está a diferença?? Não está nas mãos, mas no coração. É a mente transformada que dirige a mão santificada e delicada. É a mente agradecida que transforma as mãos em instrumento de graça.
Mãos que se levantam para abençoar, Mãos que baixam para levantar o caído, Mãos que se estendem para amparar o cansado. São como as mãos de Deus que criam, guiam e salvam; Que nunca faltam.
Existem mãos ...e mãos... E agora responda As tuas, quais são? De quem são? E o mais importante, Para que são? Já pensou sobre isso.....
Para que serve um amigo? Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona para festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra? Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito. Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, "A Identidade", que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar. Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos. Verdade verdadeira. Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contraído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos. Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos. Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta. Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país. Um amigo não dá carona apenas para festa. Te leva para o mundo dele, e topa conhecer o teu. Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon. Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado. Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura um confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador. Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém !
"A primeira letra do alfabeto é também a primeira letra da palavra amor e se acha importantíssima por isso! Com A, se escreve "arrependimento" que é uma inútil vontade de pedir ao tempo para voltar atrás e com A se dá o tipo de tchau mais triste que existe: "adeus"... Ah, é com A que se faz "abracadabra", palavra que se diz capaz de transformar sapo em príncipe e vice-versa... Com B, se diz "belo" - que é tudo que faz os olhos pensarem ser coração; e se dá a "bênção", um sim que pretende dar sorte. Com C, "calendário", que é onde moram os dias e o "carnaval", esta oportunidade praticamente obrigatória de ser feliz com data marcada. "Civilizado" é quem já aprendeu a cantar parabéns pra você e sabe o que é "contrato": "você isso, eu aquilo, com assinatura embaixo". Com D, se chega à "dedução", o caminho entre o "se" e o "então"... Com D começa "defeito", que é cada pedacinho que falta para se chegar à perfeição e se pede "desculpa", uma palavra que pretende ser beijo. E tem o E de "efêmero", quando o eterno passa logo; de "escuridão", que é o resto da noite, se alguém recortar as estrelas; e "emoção", um tango que ainda não foi feito. E tem também "eba!", uma forma de agradecimento muito utilizada por quem ganhou um pirulito, por exemplo... F é para "fantasia", qualquer tipo de "já pensou se fosse assim?"; "fábula", uma história que poderia ter acontecido de verdade, se a verdade fosse um pouco mais maluca; e "fé", que é toda certeza que dispensa provas. A sétima letra do alfabeto é G, que fica irritadíssima quando a confundem com o J. G, de "grade", que serve para prender todo mundo - uns dentro, outros fora; G de "goleiro", alguém em quem se pode botar a culpa do gol; G de "gente": carne, osso, alma e sentimento, tudo isso ao mesmo tempo. Depois vem o H de "história": quando todas as palavras do dicionário ficam à disposição de quem quiser contar qualquer coisa que tenha acontecido ou sido inventada. O I de "idade", aquilo que você tem certeza que vai ganhar de aniversário, queira ou não queira. J de "janela!, por onde entra tudo que é lá fora e de "jasmim", que tem a sorte de ser flor e ainda tem a graça de se chamar assim. L de "lá", onde a gente fica pensando se está melhor ou pior do que aqui; de "lágrima", sumo que sai pelos olhos quando se espreme o coração, e de "loucura", coisa que quem não tem só pode ser completamente louco. M de "madrugada", quando vivem os sonhos... N de "noiva", moça que geralmente usa branco por fora e vermelho por dentro. O de "óbvio", não precisa explicar... P de "pecado", algo que os homens inventaram e então inventaram que foi Deus que inventou. Q, tudo que tem um não sei quê de não sei quê. e R, de "rebolar", o que se tem que fazer pra chegar lá. S é de "sagrado", tudo o que combina com uma cantata de Bach; de "segredo", aquilo que você está louco pra contar; de "sexo": quando o beijo é maior que a boca. T é de "talvez", resposta melhor que ´não`, uma vez que ainda deixa, meio bamba, uma esperança... de "tanto", um muito que até ficou tonto... de "testemunha": quem por sorte ou por azar, não estava em outro lugar. U de "ui", um ài" que ainda é arrepio; de "último", que anuncia o começo de outra coisa; e de "único": tudo que, pela facilidade de virar nenhum, pede cuidado. Vem o V, de "vazio", um termo injusto com a palavra nada; de "volúvel", uma pessoa que ora quer o que quer, ora quer o que querem que ela queira. E chegamos ao X, uma incógnita... X de "xingamento", que é uma palavra ou frase destinada a acabar com a alegria de alguém; e de "xô", única palavra do dicionário das aves traduzida para o português. Z é a última letra do alfabeto, que alcançou a glória quando foi usada pelo Zorro... Z de "zaga", algo que serve para o goleiro não se sentir o único culpado; de "zebra", quando você esperava liso e veio listrado; e de "zíper", fecho que precisa de um bom motivo pra ser aberto; e de "zureta", que é como fica a cabeça da gente ao final de um dicionário inteiro."